Contestado na Europa e nos EUA, agrotóxico que reduz QI de crianças é liberado no Brasil

RFI Brasil
Por Lúcia Müzell

Segundo especialistas, ele deixa traços nos alimentos e, no organismo humano, causa danos como distúrbios hormonais, deficiência mental irreversível nos fetos e diminuição de até 2,5 pontos de QI (quociente de inteligência) das crianças. O clorpirifós é um agrotóxico que surgiu para substituir o devastador DDT na agricultura e é usado há mais de 50 anos – mas é cada vez mais contestado pelos efeitos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

O produto combate larvas e insetos e foi banido de oito países europeus. A sua licença para a utilização agrícola na União Europeia se aproxima do fim e o prazo, janeiro de 2020, levantou o debate sobre a pertinência de renovar a autorização. Segundo o jornal francês Le Monde, a Comissão Europeia estuda a possibilidade de não validar a permissão.

Uma das maiores especialistas em perturbadores hormonais do mundo, a pesquisadora Barbara Demeneix, do Laboratório de Evolução dos Reguladores Endócrinos de Paris, avalia que, se for concretizada, a medida já virá tarde.

“Nós esperamos muito que seja proibido na Europa, depois de tantos estudos não só sobre o impacto nas crianças, mas também no meio ambiente”, sustenta Demeneix. “Uma pesquisa incrível mostrou os efeitos desse químico nos peixes-corais. O estudo foi muito claro em demonstrar o quanto o clorpirifós afeta os hormônios da tireoide, portanto o desenvolvimento de todos os vertebrados. Está claro que há impactos não só no homem, como na biodiversidade.”

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